sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Saudade

Não adianta eu tentar sorrir por outros sorrisos.
Andar por outros passos.
Olhar por outros olhos.
Segurar por outras mãos.

Minha boca busca o seus lábios.
Minha caminhada, seu caminho.
Minha visão complementa-se com o seu olhar.
Minhas mãos, quer somente o seu tato.

Contento-me em conviver
Com essa enorme presença da ausência
Que pesa sobre mim

Se o amor constitui-se pelo paradoxo
De ser fogo que arde sem se ver
Construo a minha saudade, inventando o meu paradoxo
De ser o ausente que se faz presente dentro de mim

E pesa mais do que tudo
E que tenta roubar a paz dentro de mim
Que tenta substituir a sua ausência
Pela presença do vazio que você fez questão de levar pra si

4 comentários:

Anônimo disse...

Como te disse, acho poema mto difícil, hehehehe, porém dá para perceber o seu sentimento ai, vc sabe expressar-se mtooo bem, até eu fiquei com saudades agora, hehehehe, bjss Naaaa

Marina disse...

Camões! Adorei, Nati! Bela construção dos versos, brinca muito com o paradoxo, que está mesmo presente na saudade, nessa ausência que insiste em se fazer presente quando o outro não está. Ficou maravilhoso, um dos melhores poemas que vc já fez!

H.P.G disse...

Muito interessante, me lembra noites frias, carência e desejos secretos.

Mas relaciono o texto com paixão e parafrasenado a mim mesmo ...A paixão é avassaladora, corrompe e destrói a razão. Aparenta estar inerte, mas é sorrateira, ardilosa e mortal, atacando à presa quando ela menos espera e causando a falência dos seus sentidos.(HPG)

Alexandre Cabanas disse...

Nat,

Meus parabéns pelo poema!!! Lembrou-me muito de Camões (adoro Camões).

Esse poema tornou-se o meu número 1 antes era O Retrato Fraseado o meu favorito.

Recordei de alguns episódios que passei que pensara que não lembrava mais. Muito bom mesmo!!!!

Bjs,

Alexandre

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