domingo, 12 de agosto de 2012

Os vaga-lumes da cidade



Para Tamy Ito

Estar com esses dois pequenos é sempre uma comédia. Não digo por mim, que já sou um fã de carteirinha dessa duplinha, mas não tem como não se contagiar com a alegria e as ideias malucas desses dois criadores de história. Chegam a ser tão engraçados que até a minha mãe e meu pai se acabam na risada.
Eis que um dia íamos para algum lugar, que não estou bem certo qual o local, só me lembro que era à noite. Lucas e Larissa, como sempre, com certeza falariam alguma coisa que nos faria rir... E não deu outra. Percebi que ambos ficavam olhando muito atentos para tudo que passava por nós, não desgrudavam os olhos da janela e a minha pequena Lari começou:
- Pedrinho, lembra aquele dia que você mostrou pra mim e pro Luquinha aquele monte de vaga-lume lá no sítio? Por que você nunca disse que tinha vaga-lume amarelo e vermelho e verde... E que eles trabalhavam na cidade?
- É Pedrinho... E quando deles precisa pra fazer brilhar lá em cima do poste? Precisa de muitos? - completou Lucas.
- E de onde vocês tiraram isso meninos? - perguntou nossa mãe.
- Ah tia, assim... Quando o Pedrinho mostrou os vaga-lume pra gente, eles brilhavam no escuro da noite e essas luzes aí, brilham no escuro da noite... E os carros obedecem... É legal... Tio, eu posso comprar um vaga-lume vermelho pra mim? Esse é mais bonito...
- Bem, Lari... É...
- Mas pai, pai... Será que os vaga-lumes ficam com o bumbum quente? Eu lembro de um desenho que a professora mostrou uma vez, era uma lâmpada do bumbum... hahahaha E pai... E eles não cansam de ficar acedendo e apagando toda hora? E se eles estragarem, e apagar de vez, os carros vão tudo bater? E do poste, por que fica tão em cima? E as estrelas são os vaga-lumes que vão pro céu ficar com Deus, e...
- Meu filho, calma menino!!! Como cabe tanta pergunta dentro dessa sua cabeça?
- Ah... Fácil pai.. Eu quero saber tudo, mas como eu não sei nada, e eu penso, penso, penso, e quando eu descubro alguma coisa, sempre aparece uma coisa nova pra saber, então eu sempre vou saber e não saber ao mesmo tempo... Acho que eu tenho um vaga-lume na cabeça que vai iluminando as coisas lá...
- Eu também quero um vaga-lume na cabeça! Me empresta Luquinha?! - falou Larissa dengosa.
- Ah... posso até emprestar, mas eu acho que você tem, afinal, 'cê' sempre descobre as coisas comigo...
- Ah... Se é assim, o Pedro tem um vaga-lumão, né Lucas? Ele ajuda nós dois, então o vaga-lume dele é maior...
- É... e do meu pai e da minha mãe é maior ainda, porque eles sempre ajudaram Pedro...
- Então da vovó e do vovô é mais maior ainda?- concluiu Larissa.
- Calma, gente... Vamos parar por aqui que é muita luz pra uma família só. -falei eu rindo.
- É... Eu gostei dos vaga-lumes, eles trabalham na cidade com luzes coloridas e na nossa cabeça... Espero que a minha luz seja rosinha bem claro... - disse Lari.
- E a minha azul... Não branca... Ah... todas as cores... Quero aprender tudo... O mundo me espera. - disse Lucas levantando o punho, como se fizesse um discurso.
Meus pais não aguentaram e caíram na risada. Realmente os vaga-lumes devem iluminar a cabeça desses dois para sair tanta ideia maluca assim...

2 comentários:

Marina disse...

Adorei!! Genial, Nati! A eterna curiosidade que as crianças têm para o mundo, a forma com que você desenvolveu essa ideia ficou maravilhosa! Espero ter vagalumes de todas as cores também, na minha mente. Mas acho que, com a filosofia, eles vivem trocando de cores, apagando, acendendo haha

Luiz disse...

Você ta cheia de vaga-lumes na cabeça hein, hehehehehe, gostei!!!!!

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