quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Fazendo poesia

  Certo dia, Lucas, esse meu irmãozinho "terrível", veio para mim com a seguinte ideia:
  - Sabe, Pedro? Eu queria escrever uma poesia!
  - Escrever poesia? E por um acaso o senhor sabe o que é uma poesia?
  - Sei sim - respondeu o pimpolho, bem sério - poesia é quando você escrever com as palavras todas enfileiradinhas...
  - É?! Só isso? Eu posso escrever um monte de palavras enfileiradas e não ser poesia!
  - Mas aí você escreve em forma de coluna, não tudo esparramado como no texto comum, aí você pega um tema beeeem bonito, o amor, e escreve com palavras combinando...
  - E o que você quer dizer com palavra combinando?
  - Ah, Pedrinho! Toda palavra que vem por último combina com a outra palavra que vem por último e outra palavra que vem por último, combina com outra palavra que vem por último, aí você pega outra palavra que vem por último e...
  - Tá, Luquinha! Entendi! Mas você sabe que pode escrever de qualquer coisa, não só de amor, né?
  - Pode escrever de cachorro? - perguntou, torcendo o nariz.
  - Ah! Se você tiver uma ideia que escrever, pode sim...
  - Então escreve assim pra mim:

"Eu tenho um cachorro
Cachorro que é bonito
Ele sempre sobe no morro
Porque ele tem faniquito
E quando subo com ele no morro
Sempre chamo o nome dele, Carlito"

  - Eu repeti palavra, mas ficou bom?
  - Ah! Para uma primeira poesia sim! É só treinar um pouquinho e você melhora!
  - Então tá:

" A lua é bonita
A lua é redonda..."

  - Ihhhhhhh! O que rima com redonda?
  - Calma, Luquinha! Depois você pensa mais, assim que aparecer a ideia, você me diz e eu escrevo...
  - Ah! Tá bom! Então me dá a folha pra eu mostrar pra mãe?
  - Pronto, pode levar...
  E Lucas saiu todo saltitante com a sua primeira poesia.
  Nossa mãe ficou toda orgulhosa. e ele, feliz que nem cabia em si, prometeu então que um dia ele faria a mais pela poesia, para aquela que ele achava a mais bela pessoa de todas.
  E minha mãe emocionada, disse que nem precisava, a mais bela poesia ele já escrevera para ela, era   simplesmente ele, com suas brincadeiras e singelezas.

Um comentário:

Marina disse...

Ah, que conto lindo, Nati! Sinto-me como o Luquinha também quando tento achar rimas haha ficou maravilhoso esse conto, sempre muito singelo. Parabéns!

Estranha Perseguição

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