sexta-feira, 27 de julho de 2012

A entrevista da dona Maria

  Repórter: Bom amigos, estamos chegando aqui, nessa humilde casinha, lugar este que reside a nossa nova celebridade, nossa amiga Maria Aparecida Paixão, senhorinha esta que causou grande comoção do público com o relato sobre o metrô, não era bem o enfoque da nossa entrevista, mas com a guinada que esta sábia senhora deu, fez com que atraísse a atenção para ela, já que, como disse a maioria das pessoas que solicitaram essa entrevista, é uma senhora cuja beleza se percebe de longe, poetizando até sobre assuntos muito difíceis de lidar hoje em dia, como este problema de falta de tempo e o metrô e seus problemas... Com vocês, nossa querida Maria Aparecida!
  Maria Aparecida: E pode falar agora, meu filho? Ah tá bom... Olha gente, "num" carece dessas palavras bonitas com relação a minha pessoa não, porque eu nem sou bonita... Essa "véinha" que sou, enrugadinha, né? "Inté" parece uma uvinha passa... Nos meus tempos de moça, aí sim podia falar, mulatona bonita que eu era... Mas hoje, beleza foi "simbôra", só ficou isso aqui... Acontece com todo mundo, né?
  Ah... Vocês estão dizendo que a minha beleza está nos olhos... É sim, essa pode ser sim, faço questão de ser boa, se as outras pessoas vão fazer mau uso da minha bondade, o problemas é delas... Sabe que por causa disso eu era até comparada com aquele mulher daquele livro com um monte de título, da Clarice Lisp... Lisp... Lispetor, alguma coisa assim.. Sabe, aquela mulher de nome engraçado... Isso, Macabea... Me comparavam com ela... embora eu fosse mais velha que essa "personage" e sofreu muito no julgamento daquele Rodrigo SM... "Homezinho" ruim aquele, viu? Mas eu li o livro.... Entendi sim, não sou tão burrinha não... Ler mais livro dessa moça chique? Li não... Tinha muita coisa pra cuidar, vida, filho... Vida era fácil não, li porque todo mundo me chamava de Macazinha por causa dessa Macabea.. E continuei ser boa assim mesmo... Mas eu sou um pouquinho burrinha, estudei só o necessário pra ler e entender algumas coisa... Coisa difícil, não consigo, não... E nem os números, coisinha complicada...
  Ah... Sou daqui não, interiorzão de Minas, uai...
  E essa interpretação das coisas da vida? Ora... Isso eu aprendi olhando... É só você ter olho de ver... Isso eu tenho desde pequenina... Enxergar nas entrelinha, né? Palavra chique, bonita...
  Ah... "cabou" o tempo... tudo bem.... Não falei nada, mas disse tudo... Só ter olho de ver direitinho, aí, consegue perceber tudo... Do mais bonito até o mais feio e tem muito dos dois nesse mundão... Basta abrir bem olhos, mas não muito... Se abrir demais, entra um cisco...

2 comentários:

Marina disse...

Nati, eu arriscaria dizer que foi um dos melhores textos que você já escreveu! É um risco dizer isso porque já li tantos que minha memória não consegue registrar todos, cronologicamente, né? Poxa, esse conto merece estar num livro, como as histórias do Luquinha, guarde com carinho. O mais engraçado é que comecei a ler e logo pensei na Macabea, uma das minhas personagens favoritas da Literatura, exatamente pela simplicidade. E aí você me surpreendente, dialogando com a minha interpretação! Ficou incrível! A Clarice teria orgulho de ler, sei bem haha

Luiz disse...

O que sua amiga Marina disse é fato, pensei mto na macabea tb, hehehehe, vc ta boa nisso hein!!!!!!!

Estranha Perseguição

  "As palavras são mais perigosas do que aparentam".   Era o que estava escrito em um pedaço de papel, em tinta vermelha, parec...