sábado, 7 de abril de 2012

Telma Vilela

  Era uma vez uma menina chamada Telma Vilela. Ela costumava até ser uma pessoa muito ativa e inteligente.   O que não contávamos era com influências que esta menina teria, e que faria a vida mudar por completo.
  Seu apelido era Telminha, assim era como todos de sua vila gostavam de chamá-la, e ela atendia com prontidão e porque não dizer, com muita personalidade a todos os chamados. Com isso quero dizer que ela era uma pessoa muito criativa... Sim, ela era uma pessoa muito criativa.
  Um belo dia, enquanto ela caminhava pela rua tranquilamente, ela percebeu que todos apontavam para ela, de maneira nada discreta, e ela, muito curiosa, se perguntava o que acontecia, não fiz nada, pensava ela, porque será que as pessoas estão olhando assim? E nada foi exatamente o que ela passou a fazer.
  O que acontecia é que as pessoas começaram a perceber que Telminha estava ficando acinzentada.   Acinzentada, como assim acinzentada?! E ninguém entendia nada... E o mais estranho ainda é que, quanto mais cinza ela ficava, menos ela fazia, mudando completamente o jeito meigo e livre que antes ela tinha, suas criatividades não eram mais criativas, podendo-se até dizer que as suas criatividades se tornaram um tanto quanto programadas. E quando começaram a perceber esse tipo estranho de "programação" que nossa amiga passava, começaram a perceber que sua cabeça começara a ficar quadrada.
  Cinza e quadrada?! Como assim, cabeça cinza e quadrada?! Todos olhavam atônitos a tal fenômeno, e o pior, queriam acompanhar tudo isso que acontecia, mesmo sendo programado, mesmo se passando todo dia a mesma coisa. Todos queriam acompanhar a nossa amiga Telinha, quer dizer, Telminha, e esta, como antes, exercia um grande domínio nas pessoas, mas não era como antes não.
  Antes, ela era mais vivaz, mas colorida e instigava as pessoas a pensar. Hoje ela é distante, domina, se programa e assim, programa todos os que a cercam. E ai de quem tente fugir desse domínio. Não que as pessoas não tenham inteligência o suficiente de fugir de tal domínio, elas têm (?), mas o que acontece é que ficou bem mais cômodo prestar atenção nela do que prestar atenção em coisas como cores, arte, natureza e até vida, pois não se conversa mais, a Telinha, quer dizer, a Telminha, ou melhor, a sra. T.V. desenvolvera tentáculos invisíveis. Se você ousar a desviar a atenção dela, ela lança seu tentáculo e te puxa para a programação, mas, se você for teimoso o suficiente e insistir a pensar, pegar um livrinho que seja e por conta disso, tentar se aproximar das pessoas e conversar, seu tentáculo toma mais força e ela te empurra, pra longe, distante das pessoas que você está tentando desviar. Onde já se viu tentar disputar a atenção do povo com a Sra. T.V. Esta que de doce e gentil, foi mostrando suas garras vagarosamente, mostrando aos poucos sua faceta de monstro e mesmo assim, imperceptível. Mesmo que a mudança fora absurda, fez com que ninguém percebesse, e assim, foi alienando um a um, vila a vila, cidade a cidade, país a país. E esta, sra. T.V., Telma Vilela, que todos pensaram ser amiga, na verdade era, e é, uma verdadeira déspota, ditando o que se veste, o que se faz, o que se pensa, e o pior é que as pessoas aceitam e ainda pensam que é amiga, o que eles não conseguem enxergar é que, a antiga Telminha, tal qual um lobo na pele de cordeiro, viera para dominar, mas como o povo costuma ter memória fraca e pouca vontade de pensar, se deixa dominar, e ainda pior, costuma não ouvir os que tentam acordar, vivendo assim em um grande círculo vicioso, dominante e dominado, reclamando da atual Telinha, quer dizer, sra. T.V. e sua programação, mas não fazendo nada, não reclamando nada e a deixa continuar programando a vida alheia.
  E de cinza, a sra. T.V. começou a ficar maior e preta. Aumentando o buraco negro em suas mentes, em seus pensamentos, em suas vidas... E a maioria não percebeu... E ainda não percebem... E pelo andar na carruagem, dificilmente perceberão...

P.S. Nome escolhido aleatoriamente devido às iniciais.

2 comentários:

Marina disse...

Excelente texto, Nati! Muito criativa a forma com que vc vai tecendo a crítica a TV. O leitor vai descobrindo aos poucos o enredo e se envolvendo. Parabéns!

Luiz disse...

Cara, mistura de Kafka com 1984, mto bom a crítica a TV, mas não se esqueça que as irmãs dela que vem da mídia são bem fdps tb...

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