quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O não-poema

Não escreverei sobre os preços das coisas
Pois os preços não cabem na ponta da caneta
Eles são demasiados grandes, altos e caros
Não, eles não cabem na ponta da caneta

Não falarei sobre as injustiças do mundo
Elas são muitas, meus dedos ao digitarem não comportam
Dia a dia se vê a diferença de classes e a indiferença das mesmas
E não, meus dedos ao digitarem, não suportam

Nem rascunharei sobre a hipocrisia das pessoas
Não há grafite o suficiente no meu lápis
Pessoas que te sorriem e escarnecem pelas costas
Não, meu lápis se recusa a escrever tal coisa

Simplesmente não falarei e nem sequer pensarei em todas as iniquidades
Os meus olhos não querem ver
Fecharei sim meus olhos e colocarei uma venda
Porque, como a maioria no mundo, vou fingir que não vejo, não falo e não penso.

3 comentários:

Marina disse...

Sabe o que me lembrou esse não-poema? A música Perfeição, do Legião Urbana. Ótimo, Nati! Com uma ironia sutil no final, mas também reconhecendo a dificuldade que é abordar temas tão caros à humanidade.

Ser em construção disse...

Para não-poemas:
Não leitores
Não poetas
Não admiradores
Para o blog:
leitores
poetas e eu
e mais admiradores.
Gostei muito do espaço. beijos e 2012 cheio de realizações.

Literomania disse...

Podia realmente pensar em musicar o seu texto. ;) - musicalidade já tem !!!

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