quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Criança outra vez

  Existem várias histórias que guardo na memória. Claro que referente a um dos grandes amores da minha vida, meu irmãozinho Lucas (tudo bem que hoje ele não é mais meu irmãozinho, já se diz adulto, tem 15 anos, mas houve a época que ele me deixava considerá-lo rei).
  Uma das minhas histórias favoritas é uma de quando ele tinha uns 4 anos de idade, em que ele me falava de como São Pedro tirava fotos da chuva e o que ele fazia com essas fotos depois. Ele sempre me fez rir com essas associações extraordinárias.
  Um outro dia, nessa mesma época, ele travou a seguinte conversa comigo.

  "- Pedro, eu queria comer nuvem!"
  - Como assim, maninho?! E quem disse que dá pra comer nuvem?
  - Oras, mas nuvem não é algodão doce?! (disse torcendo o nariz, como era de costume, quando ele deduzia essas teorias absurdas dele).
  - Não, Lucas, nuvem não é algodão doce.
  - Mas Pedro, não fala uma coisa dessas - disse com os olhos marejados - as nuvens parecem algodão... Olha, você já até não viu que tem nuvem rosa de vez em quando no céu?
  - Nuvem rosa, Luquinha?
  - É!!! Quando o sol tá lááááááá longe, se escondendo...
  - Pôr-do-sol?
  - É, se você tá falando... A nuvem fica rosa... Nuvem de morango!
  - Nuvem de morango?!?! E as brancas, são de quê?
  - É "óvio" que é de baunilha!
  - Ah, de baunilha?! E qual das duas você queria?
  - As duas, oras... Mas tinha que ter um jeito de subir lá.
  - Avião?
  - Não! Tinha que ser que nem o Peter Pan. Ele deve comer bastante nuvem!
  - Ai Lucas, você tem cada uma!
  - Não, eu ainda não tenho, mas ainda vou ter.
  - Uma nuvem?! - perguntei entre risos.
  - Não, nuvem não vai dar...
  - E por que não?
  - Oras Pedrinho, quando eu conseguir uma nuvem, eu vou comer, é algodão doce!"

  Realmente eram muito engraçadas essas histórias que o Luquinha (que ele não me ouça falando assim) me contava, era maravilhoso ver aquele brilho pueril nos olhinhos verdes dele, isento de toda malícia e maldade que possa existir. Hoje em dia, diz ele não se lembrar mais dessas coisas que ele inventava, o que me faz ter vontade de escrever um livro, não tanto pelo desejo de registrar as peripécias e artimanhas da mente de meu irmão, mas para relembrar esse tempo tão saudoso e querido, quando eu, já um burro velho, me deixava inebriar pela imaginação dele e assim, voltar a ser criança outra vez.


2 comentários:

Marina disse...

Que lindo, Nati!! Persista em escrever um livro com as histórias do Lucas, com certeza eu irei ler! Excelente, puro, lírico...parabéns!

Anderson disse...

XD huahuahau. Meu, muito lindinho. ^_^ Adorei. Vai fundo. Acho que vai ficar legal sim. Só não demora demais. Ação! Corra atrás e manda bala! ;)

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