terça-feira, 23 de maio de 2017

Uma breve reflexão ou A orquestra de palavras

  - Pedro, sabe o que eu estava pensando?
  - Olha, Lucas, não sei, não!
  - Eu acho que os escrevedores de livros são como aqueles moços de roupa de pinguim, que ficam com aquela agulha comprida na mão, organizando a música que você me mostrou uma vez na televisão, só que o escrevedor de livros usa o lápis, ou pode ser a caneta, para organizar as palavras. Eu acho que a gente pode falar que um livro, ou até um textinhozinho pequeno, é uma música organizada de palavras.
  - O nome disso é orquestra, Lucas!
  - Obrigado! É uma orquestra de palavras! Muito bonito. Até o nome fica bonito: ORQUESTRA DE PALAVRAS!!!

Da série frase do dia: O resumo de uma história de amor que se foi

Éramos iguais nas diferenças que tínhamos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O descobridor de palavras

  - Pedro, queria saber uma coisa! É muito sério! - falou Lucas com gravidade na voz.
  - Nossa, Lucas, fiquei até com medo! Aconteceu alguma coisa com você? - perguntei preocupado.
  - Sim!!! Eu estou pensando...
  - Ah! Só isso?! Até aí, nenhuma novidade... - exclamei rindo.
  - Mas eu queria saber, porque as palavras são assim, Pedro.
  - Assim como, menino?!
  - Assim, olha! Você já parou para pensar como as palavras são estranhas? Olha, você pega o lápis, ou a caneta, aí você faz umas voltinhas engraçadas e a palavra sai. Aí, tem outra coisa também!
  - Tem?! - perguntei segurando o riso. - E o que é?
  - Além das palavras morarem nas voltinhas engraçadas dos lápis ou das canetas, se bem que eu não sei se elas moram nos lápis e nas canetas ou se é na nossa mão, mas, como eu sei que essa palavra significa essa palavra de verdade?
  - Ué! Se eu entendi bem, eu acho que a gente sabe o que cada palavra tem o significado que tem, porque vemos no dicionário! Lá tem o significado das palavras! - expliquei para o pimpolho.
  - Tá! Mesmo assim, Pedrinho! Como eu sei que mesa é mesa? Quem deu esse nome? Como eu sei que mesa é mesa de verdade? E se o nome de verdade não é cadeira? Você já pensou? Já podemos estar chamando coisas com o nome errado por vários vários vários tempos e nem sabemos! - falou Lucas, abismado.
  - Mas, Lucas, calma, é só uma questão de...
  - Eu quero saber!!! - falou Lucas, afoito.
  - Isso é questão de como as pessoas inventaram as línguas, há séculos, foi simplesmente atribuição de significados...
  - Ah, Pedrinho! Mas isso é muito complicado! - exclamou o pequeno. - será que um dia eu vou conseguir entender tudo o que eu quero entender?
  - Sinceramente, eu espero que não! Afinal de contas, que graça sua vida teria, se você não tiver mais nada para descobrir? - indaguei.
  - Verdade! De hoje em diante, eu vou ser um descobridor de palavras! - disse Lucas decidido. - Vou ter muita coisa para descobrir, porque existe mais de um milhão de palavras (não sei de onde ele tirou isso), e a minha primeira descoberta vai ser descobrir onde posso descobrir as palavras!
  E saiu correndo para a biblioteca, descobrir onde se descobrem as palavras.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Olhos de menino

  É engraçado o jeito que você me olha.
  Esse sorriso, que está muito mais nos olhos do que propriamente nos seus lábios. Olhar de menino travesso que, por vezes me faz esquecer de todas as adversidades da vida.
  Inexplicável o bem que esse olhar me faz. É como se eu sempre tivesse alguém do meu lado, mostrando o lado bom de se viver.
  Não importa quais são os problemas, empecilhos, dificuldades... Nada...
  Nem mesmo a idade. Nada apagou essa vivacidade do seu olhar.
  Meu eterno menino que nem a morte levou.
  Guardo comigo, hoje, na lembrança, o amor de uma vida, um olhar tão querido... O seu olhar...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O sorriso da Monalisa

  Seus olhos castanhos são um mistério para mim.
  Esses olhos que me olham tal qual a Monalisa, que inexpressa o que você é ou sente.
  O seu sorriso, incógnita que mais complica do que auxilia neste ser que tanto quero ler.
  Essa indecifração que consome o meu ser por inteiro, que necessita ler e pede para ser lido, eu, esse livro aberto que se mostra tão desejoso de você.
  Engraçado... Você, que sempre foi o meu passado, é meu presente e será o meu futuro, esconde-se de mim como uma criança a brincar, que brinca com os meus sentimentos, que brinca com o meu brio.
  Faz de mim o seu menino, sequioso por seu acalanto, apaixonado por seu você. Enebriado por seus encantos, perdido em você.
  Mistério que me faz te seguir cegamente, esperando um dia poder mergulhar em você.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Poemeu

Queria poder escrever uma poesia
Em que eu pudesse mostrar todo o meu ser
Mas como tentar em poucas linhas tudo isso conter?
Como não transbordar um misto de pensamentos e emoções
                                                                                      que mal
                                                                                                  conseguem
                                                                                                                   ser?

Conter o que se transborda, como uma chuva de verão
Que no seu ímpeto repentino, deságua em turbilhão
E com a mesma força em que aparece, em calmaria se torna
Mostrando toda a dualidade do que é ser... Meu ser...

Que se arrebenta e se constrói, assim como a fênix ressurge
A cinza que se desmancha e que se constrói
Mostrando sempre o novo, a vida
Que se monta de onde já não se enxergava mais... A vida...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Invisibilidade

  Nunca me senti na obrigação de justificar ou fazer uma introdução para um texto que eu escrevesse, mas esse eu senti. Porque eu tentei, realmente não sei se eu consegui, pontuar as várias pessoas que são invisíveis e por muita gente, realmente, não se dar conta delas, por passar despercebidas. 
  Afinal, quantas são as pessoas que desejam bom dia ao motorista do ônibus ou à faxineira no banheiro no shopping? Quantos já trocaram uma palavra com a caixa do supermercado ou da farmácia? Quem sequer olha para os olhos deles?

  Olhou-se no espelho e não se viu mais. Mas como assim?! Até ontem tinha se visto, como podia não estar se vendo mais?! Mas não se via.
  Voltou a deitar, pois pensara que tudo isso não passava de um sonho. 
  Na sua meia hora de folga que lhe restava para levantar, definitivamente, descansara os olhos, de repente, fora o cansaço que lhe causara tal impressão, mas não teve jeito. No horário em que teria que levantar e banhar-se para mais um dia de trabalho, estava lá novamente, ou melhor, não estava.
  Tomou banho do mesmo jeito, parecia que o chuveiro estava ligado sozinho. Colocou a sua roupa costumeira de trabalho e saíra. Não fez diferença, não tinha ninguém lá para ver.
  Conforme foi andando na rua, percebeu que notava-se uma certa notoriedade para seu lado, parecia se sentir notado, mal percebia que os olhos dirigidos à sua pessoa eram de espanto, eram as roupas andando sozinhas.
  Pior foi quando chegou ao seu trabalho, nem a presença de suas roupas sentiram, só o resultado, no final do dia, seria notado, caso não acontecesse... E isso se repetia.
  Por dias, semanas, décadas... Uma vida.
  No fim, o que se via, era só uma roupa, um uniforme, vazio... Aí sim, fora percebido.
  Perceberam que a roupa sozinha não faz, não é, não tem utilidade. E só foi aí que notaram falta do ser, que já não era mais.
  A pessoa que não se viu, pela vida inteira.
  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Portas fechadas

  Deixei que todas as portas se fechassem.
  As da minha mente, coração... As minhas palavras...
  Há muito que elas não aparecem para um simples desabafo ou contemplação do que se te a observar.
  E existe muito a se observar.
  As palavras, talvez se encontrem sem traquejo de sair do meu ser. Talvez seja o meu ser que se encontre sem tal ação.
  E por enquanto, trilho o meu caminho sem ação, mas até quando? Talvez me falte um motivo para a ação... Espero em breve, encontrar...

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Um dia no jardim

  Um belo dia, nossa mãe nos chamou para ajudá-la a cuidar do jardim. Um dia maravilhoso, entre flores e folhas, e os nossos queridos pirralhos. É claro que no meio da jardinagem surgiria mais uma das pérolas da nossa dupla dinâmica preferida e não deu outra!
  Enquanto nossa mãe tratava das flores, ela percebeu um número considerável de ervas daninhas e comentou conosco:
  - Nossa! Eu não deveria ter ficado tanto tempo sem cuidar das minhas margaridas e das rosas! Olha só, quantas ervas daninhas que tem por aqui! Coitadas!
  E pronto! Ponto de partida para a imaginação desses dois!
  - Lucas, Lucas... Corre, vem ver as daminhas... A Daminha Margarida e a Daminha Rosa... Vem!!!! - gritou Larissa toda animada, pois estava mais próxima da minha mãe.
  - Ué, cadê?! - surgiu Lucas, do nada.
  - Tia! Você falou da daminha Margarida e da daminha Rosa, mas eu não estou vendo nenhum vestidinho!!! Daminhas não usam vestidinhos?! - perguntou Larissa, confusa.
  - Lari! Você tem certeza que você ouviu daminha?! Porque assim, a dona Margarida só pode ser uma damona, porque ela é beeeeeeem grande!!! Ela é quase do tamanho de uma árvore!!!
 - Mas, Luquinha! - falou Larissa chorosa - A tia falou a erva daminha Margarida e a erva daminha Rosa! Se bem que a dona Margarida eu conheço, mas não conheço nenhuma Rosa!
  - Mãe, o que é erva daminha Margarida? Não tem vestido porque é a dona Margarida que é dama e... Já sei!!! A daminha são as flores e agora eu entendi o que é a folha pétala, Lari... São vestidinhos, todas as flores são daminhas!!! - concluiu Lucas sorrindo, na maior felicidade.
  Juro que percebi passando pela cabeça de minha mãe, a verdadeira explicação das ervas daninhas, e sim, ela explicou, tempos depois. Naquele momento, ela somente deixou Lucas e Larissa criarem as daminhas e a festa no jardim, os vestidos e a moda flores que a Larissa criou, e seus acompanhantes, as verdadeiras ervas daninhas que se retiravam, cansadas, depois de muito dançar. Lembrou até o jardim das flores de Alice.
  Viver com eles é viver com mágica.

Uma breve reflexão ou A orquestra de palavras

  - Pedro, sabe o que eu estava pensando?   - Olha, Lucas, não sei, não!   - Eu acho que os escrevedores de livros são como aqueles moç...